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A triste realidade do nosso futebol





    A venda de Elsinho para um grupo de empresários na última quarta-feira trouxe a tona um problema
antigo, mas que perdura até os dias de hoje, mesmo com os avanços da economia no país e no Estado de Alagoas.

Nossos clubes não tem dinheiro. Essa é a dolorida verdade. As receitas são baixas, os patrocinadores não pagam muito e o dinheiro dos ingressos nunca é 100% do clube, já que boa parte dela é sempre recolhida por outras partes para a amortização de dívidas antigas, de diferentes naturezas.

Eu, que sempre reclamei das direções dos clubes daqui, fiquei boquiaberto quando tive conhecimento das manobras que eles precisam fazer para compor um elenco para a disputa de competições. Mais especificamente nesse caso, o Clube de Regatas Brasil, pois em entrevista ao Pajuçara Futebol Clube 2º tempo, sob o comando do amigo César Pita, o presidente em exercício do clube, Ednilton Lins, revelou alguns detalhes sobre a polêmica saída de Elsinho e sobre a situação de alguns outros atletas e do próprio clube.

Elsinho não era jogador do CRB, só estava emprestado ao clube. Seus direitos federativos estavam ligados a um clube-empresa do Estado do Paraná, o Cincão. em se tratando de jogadore de futebol, normalmente quando se consegue o empréstimo de um atleta, é paga uma quantia ao clube cedente para que o jogador só retorne para ele, no fim do seu contrato de empréstimo com o clube que ele foi cedido, no caso o CRB.

Só que o CRB não tinha esse dinheiro na hora da contratação. Então, a formula que foi bolada para viabilizar o negócio foi fazer do clube uma vitrine para o jogador. Então, Elsinho foi cedido sem custos, mas em compensação, caso aparecesse alguma proposta interessante por ele, ele seria negociado sem a necessidade do cumprimento do contrato com o CRB. A diretoria, por sua vez, se resguardou bem diante da situação.

Lins explicou a razão da saída de Elsinho.
Para o prejuízo não ser tão grande (afinal de contas, já se  iria perder o jogador), o CRB estipulou uma cláusula de rescisão para o jogador que, caso alguém ou algum clube queira contar com os seus serviços, o CRB teria que ser indenizado. Nesse caso, os tão falados 200 mil reais. Uma pena ter sido só isso, mas é compreensível. Elsinho, quando contratado, não passava de um jogador razoável. Ele despontou no decorrer do ano, com o contrato e a multa já estipuladas. Não havia nada que o CRB e sua direção pudesse fazer, e Ednilton Lins comentou isso na entrevista.

"Se o jogador fosse o dono do próprio passe, nós teríamos como fazer diferente. Tentar aumentar o salário, oferecer vantagens...enfim, fazer com que o jogador ficasse. Se tivéssemos como fazer isso, faríamos sem dúvida, pois o Elsinho se mostrou um grande jogador e ajudaria bastante o clube no decorrer da temporada. Infelizmente, não temos esse poder, e por isso perdemos o jogador" comentou o presidente.

Ainda segundo o presidente em exercício, essa modalidade de contrato existe em alguns outros atletas do galo. "Atletas como o Giovani também tem contratos semelhantes, apesar de que no seu caso em específico, não chegou nenhuma proposta concreta. O que falam sobre ele até o momento é especulação"



Depois de tudo que aconteceu, eu tirei a conclusão de que os dirigentes não são tão ruins como nós imaginamos. Os caras dão nó em pingo d'água, como diz o ditado. É lógico que as dívidas foram criadas por diretorias e dirigentes anteriores, uma infeliz herança diga-se de passagem. Mas é impossível resolver essas situações hoje, nas atuais condições. Não estou defendendo ninguém, só estou analisando os fatos. Mas é certo que essas dívidas atrapalham tudo, e quase não se tem entrada de dinheiro nos cofres do clube.

Sendo assim,  montar um elenco competitivo nessas condições é uma missão muito complicada, temos que concordar. E fazer de um elenco desses, um grupo competitivo é mais complicado ainda, e eles conseguem. Aos trancos e barrancos, mas conseguem.

É uma pena a nossa situação, mas temos que conviver com ela. Nossos clubes vivem cheios de dívidas que atrapalham qualquer tipo de negociação mais benéfica para eles mesmos. Ficamos na torcida para que alguém consiga, quem sabe um dia, resolver as suas situações financeiras.

Até lá, só podemos ficar na torcida.

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